Diz-se que a Mãe Natureza é sábia e que não devemos interferir… na maioria das vezes nem podemos fazê-lo! Mas Ela, por vezes, também é cruel!
Não estou revoltada, mas confesso que algumas vezes não a deixo seguir o seu curso a seu belo prazer e tento dar uma mãozinha!
Verdade seja dita, que apenas em algumas circunstâncias consigo “levar a melhor”.
Estranho discurso para este começo, pensarão alguns de vós, mas por vezes não me conformo e resolvo pôr mão à vida… mas aqui vai a minha história:
Uma das minhas paixões, os Petauros do Açucar, com os quais tenho vivido experiências maravilhosas ao longo de alguns anos. Pesquisei e aprendi muito sobre eles, dediquei-lhes muito tempo de observação e estudo, pois queria conhecer tudo sobre eles. Claro que tudo nunca ninguém sabe e como tal eu não sou excepção, mas já os conheço muito bem, especialmente os “meus meninos”
No passado dia 1 do presente mês, um dos meus casalinhos brindou-me com um par de crias… lindos, mas muito pequeninos, quase diria que prematuramente sairam da bolsa. A mãe não mostrava grande interesse pelos bébés e 3 dias depois um dos bébés, o mais pequeno, aparece morto por ter sido rejeitado durante a noite e ter entrado em hipotermia. Ainda tentei reanimá-lo mas já não cheguei a tempo. A Mãe Natureza tinha seguido o seu curso… Restava ainda o outro pequenote, pelo qual a mãe também não mostava grande interesse. Como eu estava muito atenta pelo acontecido anteriormente, cada vez que o pequeno aparecia largado fora do ninho, eu pegava nele, aquecia-o e voltava a colocá-lo junto dos pais. No dia 12 à noite, mais uma vez o fui apanhar já em hipotermia. Aqueci-o e notei que ele estava muito magrinho… diria mesmo que estava raquítico! Não me conformei nem o deixei entregue à sua pobre sorte! Deitei “mãos à obra” e desde então que o estou a criar à mão tendo como biberon uma seringa de insulina. Não o estou a alimentar a leite por causa da intolerância à lactose, mas ele parece estar a reagir bastante bem e felizmente, tem um apetite voraz!
Outro problema com que me deparei foi a temperatura, pois ele sem aquecimento externo e como as temperaturas que se fazem sentir são muito baixas, ele não conseguia manter a sua temperatura corporal e fácilmente entraria em hipotermia. Tentei várias coisas, mas nada resultava pois arrefeciam muito rapidamente e não podia dormir com ele pois corria o risco de o sufocar ou esborrachar… foi então que me lembrei do tipo de aquecimento que se usa nos terrários… e voilá! Fazendo algumas adaptações consegui resolver o problema.
Já passaram 4 dias e o meu pequeno lutador está a recompor-se. É muito mais activo do que seria de esperar de um pequeno ser que foi abandonado à sua sorte.
Hoje pesei-o para começar a fazer um controlo de peso/desenvolvimento. Ainda só tem 9 gr, mas posso garantir que já recuperou um pouquinho.
Cada dia que passa é uma vitória, mas ainda receio por ele…

